segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Número 14, dúvida

Como se preparar para a tragédia que se encontra à espreita na próxima esquina?
Posso ver a sombra má, escura, terrível, sedutora, mas meus passos continuam me levando na sua direção.
Só resta saber como ela irá atacar, e se e como eu vou reagir. E como o mundo vai reagir?
Será que vai continuar girando em volta de si mesmo como se nada tivesse acontecido?
Ou será que vai enxergar?
A minha esperança continua viva, sempre.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Número 13, número do azar

Existe dor maior do que não ser mais?

Número 12, 20/08

Ensaio

Há um monstro correndo atrás de você. Um monstro feito de uma fumaça negra e densa, que te sufoca e turva a sua visão. Você corre e corre, mas ele está sempre se aproximando, aos pouquinhos. Você não pode escapar, não importa o que você faça. Você tenta impedir que ele te alcance, pois sabe que se isso acontecer, ele irá destruir você, ele vai se infiltrar para dentro de você quando você respirar, preencher os seus pulmões e passar para a sua corrente sanguínea, e envenenar o seu coração até que cada batida doa como uma centena de facas te apunhalando. Ele vai se tornar parte de você. Você continua correndo, mas a cada momento percebe que a fumaça está se aproximando de você. Fica mais difícil respirar, mais difícil enxergar o caminho à sua frente. Seus passos começam a vacilar. O medo te dá um último impulso de energia, você luta mais do que nunca mas é tarde demais. Não adianta mais. É sua última tentativa de resistir. Às vezes esse processo é rápido, e às vezes você corre por anos. Mas o final é sempre o mesmo. De repente a fumaça já te envolveu. Não há nada além da escuridão. Não há som, não há vento, não há caminho a seguir. Nesse momento, você se dá conta de que esse monstro tem um nome. O nome dele é desespero. E ele te pegou, e não vai mais soltar. Você percebe que a única libertação é a morte. E por um tempo, realmente é. A dor e o sangue são bem-vindos. Ele são uma lembrança de que há algo para além da fumaça. Você fecha os olhos. Você não vê mais. Você não sente mais. E então você não é mais. E pelo tempo de um último suspiro, você acredita que é para sempre.

Número 11, homenagem

Por Aurora Enkeli Medeis:

"You are you and I am me: we both have people we need to be.
What a pity then, that my pride wouldn't let me admit the fact that I will sorely miss you when I'm gone."

Número 10, escuridão

O encontro com a falta de sentido tem sempre gosto amargo.

domingo, 3 de julho de 2011

Número 9, pensamento

Sonhar. Pra que sonhar se a realidade fria prende nossos pés no chão?
A culpa nos afoga, o ar é duro demais para ser respirado.
As batidas do coração soam com um estrondo esurdecedor.
Os sentimentos à nossa volta confundem, enganam.
Ontem eu era por inteiro.
Hoje, nem metade daquilo que restou tem energias ainda pra sofrer.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Número 8, querido diário

Madrugada. Um cigarro aceso, o vento frio da janela. O som de Dylan ao fundo.
Olho para as luzes acesas da cidade e me dou conta de que estou exausta do mundo.
Tenho voz, mas não sei o que dizer. Não tenho mais o que cantar. Milhares de perguntas flutuam pela minha mente, não tenho nenhuma resposta.
Quão longe terei que ir nessa busca incessante por algum significado? Quão baixo, quão profundo? Quão extremo? Logo vem a manhã, mas nada vai ter mudado. E depois resta apenas esperar novamente pela madrugada.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Número 7, noite

Faz tempo que não aparecem palavras por aqui. Essa foi a fascinação do dia: palavras.
Escrevi hoje sobre palavras. Pensei que é preciso que muitas palavras se passem para que não se precise mais de nenhuma. Se eu deixar aqui, agora, um espaço em branco, será que ele vai ter algum sentido?